This piece was based on a poem by Cláudia Pires

Eclipse da Auto-Degradação

A boa aparência ausenta,
espelho-me baça numa Lua,
e de qualquer adereço nua
vejo-me com olhos de tormenta.

 

Trata-se da sombra derradeira,
refletindo a minh’alma distorcida
e que a essa Lua lhe suga a vida,
inescrupulosamente traiçoeira.

 

O sabor da doença a mim me cura,
não ao Astro que agora jaz morto,
é culpa minha, Embrião de um Aborto,
que emana escuridão crua.

 

Tenho tripas de decadência;
assino acordos com a desilusão,
sou quem a vida não dá perdão
pois me cinge à existência.

 

Individa-me o perdão ao Astro,
peco e perco pela atrocidade
que me murcha na flor da idade,
içando-me a culpa num mastro.

 

São inutéis; desculpas tardias,
só eu sei como me dói
o fado que o interior me corrói,
esse fruto das reflexões sombrias.

 

Ouvide, meu Candeeiro de Rua,
só para mim guardarei as oscilações,
e a ti te peço mil perdões
pela minha indecência obscura.

Honorable Mention at BSP Composition Competition.

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